quarta-feira, 9 de maio de 2012

Queria dizer que estava a ter uns dias de cão. 
Mas conclui que podia induzir em erro, após observar a canita do vizinho que pensa que é minha...
Acho que lhe acrescentei uns anos de vida...


Resta-me, portanto, falar de forma clara e dizer que ando a ter uns dias de merda.
Mas que ninguém se amofine! Com sorte passo a ter uma vida de cão!

Às vezes sinto-me assim, sem bracitos, sem perninhas para andar e sem poder saír da mesma posição.
Acho que até o meu cabelo por vezes se comporta desta forma. Aborrecido, isto.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Depois do último episódio que vi de Criminal Minds, achei por bem tirar os phones (posso escrever phones?) dos ouvidos ao entrar no prédio.
Não me apetecia nada ser atacada sem dar conta e, pior,possivelmente com a banda sonora errada! 

A merda toda foi quando acendi a luz da sala à entrada e dei com a cadela do vizinho lá dentro. Rai's parta se eu não a "botei" lá fora ao sair... E não dei conta que entrasse ao abrir a porta. Já não tinha música, mas ouvia nitidamente algo na minha cabeça...
Mas merda merdinha mesmo foi ter a porta do guarda-fatos entreaberta.


Se hoje durmo! (outra vez)


Ah!


O sonho era premonitório... as toalhas não enxugam... Rai's parta a chuva!
Mas questões mais importantes se levantam... não, não do morango píncaro, que acho que isso era o aviso de que os morangos que tinha no frigorífico se iam estragar, mas do raio do que tinha a pagar.
Chegou uma conta da edp estranhamente baixa... hummm... Medo, muito medo!!

The Smiths - That Joke Isn't Funny Anymore



Entretanto esganiço-me satisfeita, sabendo que no meio disto alguém há-de saír incomodado. Ou descubro a minha vocação e ganho rios de dinheiro...
Ganhara imenso com as horas mal dormidas.
Como tal, não sei porque se queixava tanto...
Com tanta hora à disposição, ganhara um chorrilho de pensamentos destrutivos, um par de papinhos nos olhos, uma tremenda enxaqueca, uma fomeca extra, com esta última mais umas gramas de peso, uma valente dose de impaciência e uma vontade extrema de desligar os ouvidos numa próxima temporada.

Resolução do dia

Tapar os ouvidos.

A única certeza do dia...

... é que vou beber leite com chocolate.

sábado, 5 de maio de 2012

David Lynch - Rabbits

Jim Morrison dizia que pensava em felicidade quando falava em toalhas de mesa (mais coisa menos coisa era isto).


Eu, nitidamente, falo em stress quando penso em toalhas de banho. Ou melhor, quando sonho com toalhas de banho.


Os meus sonhos revelam-se preocupantes e demasiado óbvios. Talvez preocupantes por demasiado óbvios seja o mais correcto de afirmar.


Quando sonho que recebo a visita de amigos e a visita-surpresa do suposto morango metade (talvez deva chamar-lhe morango píncaro) não só devo preocupar-me que isso dos píncaros só mesmo em sonhos ( que as surpresas, aprendi há muito, chegam sempre em forma de desagrados) como talvez não tenha toalhas que cheguem para visitas.
Isso e o facto de no sonho me preocupar mais com as toalhas de banho estarem húmidas e as secas não chegarem para todos, do que com o rejubilar com a visita inesperada do píncaro. 
Talvez ainda pensasse que era uma miragem; ou no fundo soubesse que era um sonho.
E as toalhas eram urgentes.
Não queria aqui visitas a pingar-me o chão.


Isto depois de passar a 1ª grande parte do sonho (que isto deve ter dado direito a pipocas e a intervalo, cheira-me) a refilar de dedo no ar e bem capaz de arrancar olhos com colheres, como me é típico, por me quererem cobrar a entrada na minha antiga faculdade, para eu pagar umas pendências que, pelo valor pedido, sofreram juros inimagináveis. Terminei a gritar que não pagava. 


Pois, na vida real não tenho pendências a pagar, mas não é preciso muita análise para perceber que sinto o bolso roto e o tostão a esvair-se. 


Muito mais divertido, embora desesperante, pensar nas toalhas de banho...


Cheira-me que ando a precisar de arejo nesta cabeça, nesta vida, neste pasmo.


Antes ter sonhos com bolinha com semi-conhecidos. 
Era muito mais animador, certo?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Jojo in the Stars

--> Medir 7, 13 ou 21 vezes (consoante a sua obsessão) o galopar do orgão cardial para confirmar que vive.


--> Aconselha-se vivamente o espelho frente às narinas para verificação de embaciamento por via de expiração.



Nota:
Não nos responsabilizamos, ainda assim, por falsos vivos, macambuzios, arrasta pés, almas penadas e outras criaturas poeirentas que se façam passar por "seres vivos".

domingo, 15 de abril de 2012

Moonlight Sonata

Nada
de interesse
por
aqui

esqueci-me de desligar os ouvidos

pôr a boca no off

amarrar o dito que batuca ritmadamente com pequenos saltos imprevistos de sustos previstos de raivas que sai pela boca se perde dos olhos os braços já não apanham e as pernas só servem para segurar os pés que o pisam e não aquecem

agora respiro
bocejo forçado
não funcionou

semi-abro a portada
espreita a lua em luz
sombra de árvore
em desenhos desanimados
no tecto
nas paredes

não durmo
mas sonho

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ele há qualquer coisa...

... nos pedreiros, canalizadores, pintores, "faz-tudo" e outros senhores de trabalhos de índole mais de "pôr a mão na massa" que me fazem por vezes esbugalhar os olhos, queixo caído e em passo lento, para poder apreciar todo o espectaculo.
E que espectaculo é esse? Eles a explicarem à pessoa para quem estão a fazer o serviço como se dá e porquê o processo.
Ele é gesticular, a falar bem alto, com todas as palavras muito bem articuladas e de boca bem aberta "está a perceber?", porque daquilo percebem eles e a pessoa à frente deles pode ser estúpida... e às vezes são; ou surda... e às vezes também o serão...

Depois, como resposta, há quem goste de pensar que percebe mais da poda do que quem realmente o faz, e é ver meninas de salto alto, que sendo arquitectas percebem imenso da coisa, porem-se a espantar terra com o biquinho do sapato a ensinar ao calceteiro o que fazer e como fazê-lo (e vê-la fugir de seguida com algum tipo de impropério ou conselho para se dedicar à sua actividade).
Mas também deve haver quem engula um bocejo e pense, ai senhor faça lá isso que eu quero é paz e sossego e quem me saiba do que está a fazer, que disto não pesco nada!

Presenciei hoje uma dessas belas imagens e desacelerei o passo, para ir deixando descaír o queixo, esbugallhar os olhos e esboçar um sorriso (interior, claro... não se esqueçam que tinha descaído o queixo), para me entreter e animar, antes de ouvir o meu (improvisado) instrutor fazer o mesmo comigo (porque se ele falar baixo e não gesticular, eu posso lançar-me de uma ribanceira ou, quem sabe, resolver conduzir no passeio).
Na verdade, entrando eu numa rotunda, nunca se sabe o que pode suceder!

Não pensem vocês que critico aqui quem sabe pôr a mão na massa; muito pelo contrário! Eu aprecio é observar.
Afinal de contas, eu sou miuda de "pôr a mão na massa" e raramente compro já feito!
Guardo é o gesticular para quando vou abanar a côxa e o falar alto para quando me tiram do sério.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tom Lehrer - We Will All Go Together When We Go

Pandemonium, 1841 - John Martin
_ Parabéns, meu caro! Que a vida te corra sobre rodas! - dizia ela para o paraplégico.





(vou parar ao inferno por esta. Mas que fazer... o mal estava já feito; passou-me pela cabeça.)

sábado, 31 de março de 2012

LCD Soundsystem - Time to get away


Cantava muito bem.
Tinha era um grave problema... só a elogiavam quando cantava no banho.
Se era do eco, se o vapor ajudava ou o barulho da água a acompanhar... nunca soube.
Mas como mulher pro-activa (ou pro ativa) que era, resolveu inventar um conceito: concertos de banheira.
Tornou-se famosa, enriqueceu.
Até ao dia que escorregou no sabonete, partiu o pescoço e finou-se.
Se passou a ter uma voz celestial ou uma voz dos diabos é que já não sei.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Hoje é dose dupla

—Meu corpo, que mais receias?
—Receio quem não escolhi.

—Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
O corpo torna-se inteiro,
Todos os outros ausentes.

Os olhos no vago
Das luzes brandas e alheias;
Joelhos, dentes e dedos
Se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?

—Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
Me lembram quantos perdi
Por este outro que terei.


Jorge de Sena

Querido Diário:

Estou num sério queixume; perdi o meu tempo.

Tentei ainda agarrá-lo com unhas e dentes, mas não houve volta a dar...
Como poderei eu lidar com isto?! Estou chorosa, ranhosa, em polvorosa.
Coloquei anúncios em jornais, Facebook, blogs, páginas de perdidos e achados, placards dos supermercados, vidros de cafés e padarias...

Uma miúda que perde assim o seu tempo fica abespinhada, descabelada, levanta voo, cerra punhos, range dentes, ganha vermelhidões, e na certa que deita fumo pelas orelhas.
(Há muitas coisas que deixam uma miúda assim)

Vivendo numa cidade pequena, quase aldeola, bem se pode atar um lenço nas costas de uma cadeira, como qualquer velhinha de aldeia que se preze. Mas o tempo não aparece.

Foi-se, escapuliu-se, esvaiu-se, esfumou-se, voou, foi com o catano!

Bendito e louvado seja Santo António, sol brilhante que em Lisboa, França e
Itália, deu luz a mais rutilante: ó beato Santo António, que ao monte
Sinai subiste; o teu Santo Breviário perdeste, em busca dele voltaste
mui triste e uma voz do céu ouviste: “António, torna atrás, o teu santo
Breviário acharás; em cima dele Jesus Cristo vivo, três coisas lhe
pedirás: o perdido achado, o esquecido lembrado, e o vivo guardado.”


Ainda numa esperança saloia, lança-se a oração a Santo António para achar. Nada.

Tenho para mim que também ele ande à minha procura e num destes dias tropecemos um no outro; lágrimas, gargalhadas, felicidade em mim.


Miúda satisfeita é tod'Amor, toda enlaço, toda vermelhidão de face, mas sem fumo.

Não se recupera o tempo perdido.
Assim, tenho pensado seguir o caminho, aproveitando o tempo, este, o de daqui a pouco, o de amanhã... e chutando uns calhaus que se me atravessam nele.
E não me venham com a léria de guardar as pedras para construir um castelo... É que quando deito fumo, por vezes sabe bem chutar um calhau. Que querem...


sábado, 17 de março de 2012

Björk - Bachelorette (Official Music Video)

L'ensorceleuse - Benjamim Lacombe

Tinha desculpa se fosse adolescente

Era uma saudade de outra que não ela, uma nostalgia que não lhe pertencia, de um tempo que parecia ter sido uma outra vida.
Uma náusea. Não pertenço aqui. Não sou eu que sinto; é outra que fui, com outro que foste.
A náusea de sentir em mim a saudade, o retorno de algo que tive (imaginei ter?).
É náusea, nostalgia, saudade, satisfação do retorno? Sou eu que sinto; é outra em mim? E quem retorna; és tu mesmo, outro em ti, aquele que não quis ver ou o que imaginei?
Deixa-se ir... a náusea volta soluçante, tal como a saudade. Não sei se em mim, se em quem fui, não sei se de ti, de quem foste ou se de quem te imaginei.
Mas saudade, sim, agora.

sábado, 3 de março de 2012

Tindersticks Frozen



Auxiliares de memória e outras merdas (posso escrever merdas?)

Era um amor assim de novela
beijos e zangas e toda essa trama
um dia a saudade virou grade de cela
foi-se a memória a pele e a chama
perdeu-se ele esqueceu-se ela
Meu xuxu amor meu de cama
preciso ver-te disse-lhe ela
Mas não te conheço traz de rama
uma rosa vermelha na tua lapela.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ode ao Amor

Tão lentamente, como alheio, o excesso de desejo,
atento o olhar a outros movimentos,
de contacto a contacto, em sereno anseio, leve toque,
obscuro sexo á flor da pele sob o entreaberto
de roupas soerguidas, vibração ligeira, sinal puro
e vago ainda, e súbito contrai-se,
mais não é excesso, ondeia em síncopes e golpes
no interior da carne, as pernas se distendem,
dobram-se, o nariz se afila, adeja, as mãos,
dedos esguios escorrendo trémulos
e um sorriso irónico, violentos gestos,
amor...
ah tu, senhor da sombra e da ilusão sombria,
vida sem gosto, corpo sem rosto, amor sem fruto,
imagem sempre morta ao dealbar da aurora
e do abrir dos olhos, do sentir memória, do pensar na vida,
fuga perpétua, demorado espasmo, distração no auge,
cansaço e caridade pelo desejo alheio,
raiva contida, ódio sem sexo, unhas e dentes,
despedaçar, rasgar, tocar na dor ignota,
hesitação, vertigem, pressa arrependida,
insuportável triturar, deslize amargo,
tremor, ranger, arcos, soluços, palpitar e queda.

Distantemente uma alegria foi,
imensa, já tranquila, apascentando orvalhos,
de contacto a contacto, ansiosamente serenando,
obscuro sexo à flor da pele... amor... amor...
ah tu senhor da sombra e da ilusão sombria...
rei destronado, deus lembrado, homem cumprido.

Distantemente, irónico, esquecido.


Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

Às Vezes o Amor - Sérgio Godinho

Quero



Nós e o Amor

O amor era tal
que deu dois nós
na corda e enforcou-se.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The Black Keys - Howlin for you (LYRICS IN DESCRIPTION)



- Não me dás os teus joelhos...
- Mas fazem-me falta! Está bem, dou-tos.
- Essas pernas deveriam ser minhas, só assim acredito.
- Mas, como vou depois a algum lado?
- E não sei, se não queres abraçar mais ninguém...
- Os braços também?!
- Dizes que só tens olhos para mim; Será mesmo assim?!
- Toma-os...
- Se afirmas com toda a tua convicção que na tua cabeça só há espaço para mim...acho que gostaria de a ter, comprova-lo.
- Sou cabeça no ar, mas... faz-me falta! Ainda a uso, ao contrário do que julgas! Mas se duvídas, toma-a, espreita!
- Vejo tantos corações desenhados, aqui, ali e acoli...mas o teu, pertence-me realmente?
- Como não o sabes ainda?!
- Não sei... Tudo isto me parece insuficiente. És muito picuinhas, queixinhas, lamechinhas, com exigenciazinhas, queres dar e receber muitas coisinhas, ou queres dar e receber poucas coisinhas, ou és pouco lamechinhas, pouco picuinhas, dás muitas satisfaçõezinhas ou pouquinhas... és esquisitinha, não gostas desta ou daquela coisinha, não queres ouvir ou dizer estas palavrinhas, fazer aquelas outras parvoicezinhas...muitas inhas e poucas inhas... uma insuficiência só! Ah, não sei. Acho que não me provas o teu amor...
- Ok... eu levo tudo de volta...
- Nãããã... Não faço devoluções. Nem aceito reclamações.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Roxy Music - Same Old Scene

The Owls - Charles Baudelaire

Under the overhanging yews,
The dark owls sit in solemn state,
Like stranger gods; by twos and twos
Their red eyes gleam. They meditate.

Motionless thus they sit and dream
Until that melancholy hour
When, with the sun's last fading gleam,
The nightly shades assume their power.

From their still attitude the wise
Will learn with terror to despise
All tumult, movement, and unrest;

For he who follows every shade,
Carries the memory in his breast,
Of each unhappy journey made.


------------------------------------

Sob os feixos onde habitam,
Os mochos formam em filas;
Fugindo as rubras pupilas,
Mudos e quietos, meditam.

E assim permanecerão
Até o Sol se ir deitar
No leito enorme do mar,
Sob um sombrio edredão.

Do seu exemplo, tirai
Proveitoso ensinamento:
— Fugí do mundo, evitai

O bulício e o movimento...
Quem atrás de sombras vai,
Só logra arrependimento!

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"

allposters.com



Era ela e um cão.
Passou o Verão, chegou o Outono e sentiu frio. Não havia aquecedor que a aquecesse, cobertor que a aconchegasse.


Era ela, um cão e um gato.
Aprendeu com eles a rodopiar atrás de uma cauda imaginária, a erguer a cabeça ao menor ruído.


Era ela, dois cães e um gato.
Chegou o Inverno. Percebeu que o frio vinha de dentro de si. Aprendera a rosnar ao mínimo sinal de perigo e não deixava ninguém aproximar-se.


Era ela, três cães e dois gatos, mais as aranhas que se instalaram.
O frio não se ia embora. Acendeu uma fogueira com a mobília, no quintal. Nunca ela mordeu tanto quanto devia.


Era ela três cães, três gatos, as aranhas e os pássaros que pelas 16h vinham roubar as migalhas.
Cantavam, ladravam, miavam, chilreavam e… bom, as aranhas não diziam um pio. Sem mobília, dormiam aconchegados.


Percebera que antes sujeitar-se a uma carga de pulgas que a uma carga de nervos!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Depeche Mode - Suffer Well [Official Video]

Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vinicius de Moraes, in 'Antologia Poética'
A poesia vai-se em menos de um "ui!"...

E é tudo o que me apetece dizer por hoje.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tom Lehrer: I Got It From Agnes (rare video recording)

Temos:

Salas para Fumadores, Salas para Não Fumadores, Salas para Idiotas Chapados, para Gordos e para Esqueletos Vaidosos, Salas para Pessoas Ricas, Salas para Ricas Pessoas e para Pessoas de Rei na Barriga, Pés Rapados e Pobres Envergonhados, Salas para Anorecticas, para Bulímicos e para os de Boa Boca.
Há Salas para Refilões, para Submissos, para Neuróticos, Esquizofrénicos e outros com Mania da Perseguição, Salas para Pessoas com Chiliques, Achaques, Trecos, Frenicoques, Chérnicos e outros Dramas.
Há Salas para Monogâmicos, Poligâmicos, Salas para os que Enganam, os Enganados, para os Parvos e para os que se Fazem de Parvos.

Há Salas para Acalorados e Friorentos, para os que Andam aos Pares, para Lobos Solitários, para os que se Rodeiam de Muitos ou dos Que Não Valem Mais que Zero.
Há Salas para os Grandes Amigos, Amigos do Peito, de Ocasião e Amigos da Onça, Salas para Quem Acredita no Pai Natal, no Coelhinho da Páscoa, no Par Perfeito e Outros Mitos, Salas para Empregados, Desempregados e Mal Empregados.
Há Salas para os que Vão Ler isto, para os que vão Ler na Diagonal e para os que Dirão: Bah!
Quanto a mim, mudei-me para o Quarto.

sábado, 10 de dezembro de 2011

AMÀLIA /**Tive um Coração, Perdí-o**/



Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

sábado, 19 de novembro de 2011

bjork - I see who you are







Morango em Metades


Fechava os olhos e ainda assim o via.

Dormia à beira de uma cama somítica deixando vago o espaço que a ele pertencia.
O espaço, frio, lembrava-lhe não a sua ausência, mas o primeiro ímpeto de serenar esse frio na presença. Uma pequena manta deixa braços em suspiros de abraços, de entrelaços…


Não mais o deixou; nem nas distâncias, nem no sono, nem nas fúrias que os arrebatavam … sabiam-se em combustão, mas de algo bom - mesmo no limite - que as exigências e as faltas conheciam os seus donos e os seus danados e negros corações.

Fechava os olhos e ainda assim o via; mesmo no sono e na ausência se pertenciam, sem que ninguém mais existisse.


E se um dia partiram, ninguém sabe…

Juram que sempre os viram juntos - ainda hoje, passados trezentos e setenta e cinco anos (souberam pelos seus avós e estes pelos seus) - com a mesma idade de outrora, braços entrelaçados; um só, como eles diziam; sem darem conta do mundo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pretty Balanced - Simon's Sleeping

"Hold On"

Ruben Ireland

The horrors of sleep

Sleep brings no joy to me.
Rememberance never dies.
My soul is given to mystery,
And lives in sighs.

Sleep brings no rest to me;
The shadows of the dead
My wakening eyes may never see
Surround my bed.

Sleep brings no hope to me,
In soundest sleep they come,
And with their doleful imag'ry
Deepen the gloom.

Sleep brings no strength to me,
No power renewed to brave;
I only sail a wilder sea,
A darker wave.

Sleep brings no friend to me
to soothe and aid to bear;
They all gaze on, how scornfully,
And I despair.

Sleep brings no wish to fret
My harrassed heart beneath;
My only wish is to forget
In endless sleep of death.



Emily Bronte

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

No More Room (Lyrics!) - The scarring party

Witkin, Joel-Peter - Woman masturbating on the Moon

Exit



Uma morreu de doença prolongada (uma unha há muito encravada causou-lhe dores alucinantes, passou-se, atirou-se da janela).

A segunda morreu de canseira (jurou dar a volta ao mundo de bicicleta e não teve pulmões para tal feito. Finou-se).

A terceira matou-se, cortou os pulsos, por desespero. Simplesmente.

domingo, 21 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Setima Legiao- Noutro Lugar


...




Circulina cansou-se.

Anos às voltas e voltas e voltas... deixaram-na tonta.

Depois de cabecear a bola de espelhos num dos seus passos de reviravolta e troca o passo e volta ao mesmo, desistiu.

Todos os espelhinhos, os reflexos de si, dele, estilhaçaram-se, restando-se, eles, em pedaços distorcidos, irremediavelmente separados, perdidos de si, deles, de um só, de um voltar...



Uma vassoura e uma pequena pá, bastaram. Assunto arrumado!

KEVIN AYERS - HAT


OCTOPUS - Rachel Wilson


- Um polvo é um polvo! Se Deus lhe deu tantos "bracinhos", para alguma coisa terá sido!

- ( Para servir num café?!)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011




Era...

... um rapaz
muito engraçado
que quando
irritado
fazia
sapateado.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

tindersticks - rented rooms (album version)


De peúgas apenas...


Sun of the sleepless! melancholy star!
Whose tearful beam glows tremulously far,
That show’st the darkness thou canst not dispel,
How like art thou to joy remember’d well!

So gleams the past, the light of other days,
Which shines, but warms not with its powerless rays;
A night-beam Sorrow watcheth to behold,
Distinct but distant — clear — but, oh how cold!



Recitava ele, na sua imaculada cozinha, enquanto segurava uma coxa de frango na púcara, tendo por assistência o estendal improvisado das suas peúgas pretas.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Blu Lu Barker Don't You Feel My Leg



Regras de utilização na repetição de peças no dia seguinte

... a roupa deve manter-se impecável para a hora de saír à rua.
Como tal, aconselha-se vivamente a dispensa de toda e qualquer peça que atrapalhe movimentos, assim como a potencialmente "amassável", durante exercícios de concentração, de respiração, de flexibilidade ou que possa causar qualquer tipo de afogueamento ou a tendência para adormecer na sua conclusão. Ou na pior das hipóteses, durante a sua execução.
...

sábado, 16 de julho de 2011

Era uma vez...

... um casal que andava sempre tão juntinho que virou human centipide!

(um pingo de mau gosto às vezes cai bem)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

É o que é preciso...



Picnicar - Nino Ferrer - Les cornichons

É servida?

- Hum...só uma mordidinha, por favor!
- Concerteza...
- Afinal, queria mais um bocadinho!!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Euristides Clumsy (continuação)

(...)

Sem alongar demasiado a história, que contar tudo era fazer pouco de desgraça alheia, há que saber que Euristides nunca foi feliz.

Tinha ouvido uns zunzuns de colegas em conversas de balneário do quão tinha sido excelente (naturalmente os termos não seriam estes , mas Clumsy recusava certos vocabulários que agora até o faziam tremer) o que a menina X tinha feito da sua cintura para baixo, do seu pescoço para cima... um vai-vem de elevador, mais não sei que objecto a entrar, mais não sei o quê que faz cócegas, mais o cinto... ai o cinto!!! que ele, infelizmente agora conhecia e que não entendia como alguém suspirava por tal... Caramba, ele era um homem sério! E muito homem!

Toda esta parafernália havia de acompanha-lo até à sua morte e a sua sorte e falta de jeito também, mesmo depois de morrer...


Pois um dia, sua esposa, achou que a relação teria que ser apimentada. Que Euristides era muito reprimido, que tinha que começar a gozar os prazeres da carne a sós, de forma a entender o seu corpo, as suas preferências para poder depois partir para aventuras mais altas a dois ou a três ou... sabe Deus, aquela mulher não queria parar!


Achou ela por bem, então, inicia-lo na prática de asfixia auto-erótica. Deu-lhe umas dicas e tal, umas pecitas para ele escolher, umas fotos dela supostamente interessantes e disse que ia filmar, para garantir que ele tentava, que se esforçava pela relação saudavel de ambos.

Euristides apenas suspirava ao ouvir a palavra saudavel...

Que assim fosse, pensou, e tentou com uma espécia de corda macia. Arquitectou uma forma de a prender à porta do quarto, junto aos degraus que desciam para o corredor e garantiu que ao colocar no seu inocente pescoço, não ficaria pendurado sem querer. Não que a ideia de "se ir" de vez lhe parecesse, naquele momento, antipática...


Ficou a sessão marcada para o dia seguinte, com tempo e disposição.

Sua esposa, de tão hilariante, nessa noite não o largava. E ele sem achar gracinha nenhuma, que tinha andado a limpar o quarto, a sala, toda a casa, pois aquela mulher deixava os "seus objectos" por todo o lado... Até aquele cone inexplicavel que toda a gente pensava que era daqueles objectos que perfumam a casa, sempre ali, pousado na mesa de café, para esfregar a depravação na cara de todos, o tirava já do sério!
E ela ainda assim, ali andava, atrás dele, com aquele zunido de pilhas a fazer coro com as promessas de o levar ao céu.
Só a conseguiu fazer desistir, sossegando-a com a ideia de querer estar fresco para a experiência seguinte, largando ela o objecto ameaçador no mesmo segundo.
E assim dormiram... mal, muito mal. Ela com a excitação e ele a tremer o dente.

Chegou a hora fatídica, tudo a ser filmado e ele a preparar o cenário...

Com a corda ao pescoço, foi ganhando coragem para se deixar pendurar um pouco, mais um pouco, quando... escorrega naquele maldito objecto cilindrico a pilhas, fazendo resvalar os seus pés para os degraus, perdendo o controlo dos pés, das mãos, do pescoço, da vida...

A sua morte foi a derradeira vergonha, pelo que não vale a pena pormenoriza-la. Os seus sogros ficaram pasmos, sem perceber muito bem, mas desconfiando de algo pouco digno e sua esposa ficou desgostosa e sem vítima.

Tentou abafar-se qualquer coisa suspeita e tratou-se do funeral.

Sua viúva resolveu ir sozinha, à frente, no carro funerário e levou consigo uns objectos pesssoais para se lembrar do seu falecido amado. Um desses objectos, para espanto do condutor, era o bendito cinto... Pois aconteceu que a parte interessante do cinto, quando este caiu, se foi colocar ao pé do travão!

Toda a situação caricata atrapalhou o condutor que não conseguiu travar, estando um membro viril de borracha a prender o pedal, e ao tentar os pedais todos acabou a acelerar e a embater nos carros da frente, causando choques em cadeia.
É que quis o destino que nesse dia além do funeral, houvesse um casamento e tudo a ir para a mesma igreja numa confusão de horários, de carros, de gentes!
Ou não fosse o funeral de Clumsy...

Foi um acidente de tal forma brutal, que as mortes foram inúmeras e ninguém sabia quem era quem e onde pertencia, o caixão tinha saltado pelos ares, tinha-se aberto, voando Clumsy livremente, não podendo no entanto já gozar o momento.


- Mas afinal onde está o morto, pelo amor de Deus??!!

- Mas qual deles?!
- O morto! O morto oficial! O que seguia para o cemitério!
- Hummm... eventualmente é onde todos vão parar...
- Estou a perder as estribeiras! Refiro-me ao morto, o que já o estava efectivamente, o que ia no carro funerário!
- Aaaaahhh! Perdão! Mas então, é só ver quem está no caixão!
- Você vê algum caixão, homem? Vê? É o fim, é o fim!!! Nunca se viu nada assim desde que aqui ando... no maximo saltou-me um caixão da carrinha numa auto-estrada, mas ninguém deu conta e enfiei-o de novo lá dentro... Ai de mim!!! Que tipo de publicidade isto me vai trazer... Onde é que o morto me foi parar...
- Simples! É só ver qual dos homens está de fato!
- Está a gozar comigo? Já viu bem os outros carros? Os outros homens? Havia um casamento, por Deus! Está tudo vestido a rigor e até os homens estão maquilhados!!! No meu tempo isto não era assim... Já nem sei se foi sorte eu sobreviver, valha-me Deus!
- Peça a alguém para o reconhecer!!
- A noiva morreu, o sogros morreram, os pais também... sobrou um primo afastado da noiva e uma avó. O primo afastado nem o conhecia de lado nenhum, ia vê-lo pela primeira vez... e a avó, pobre senhora, nem se lembrava do que fazia ali... Oh desgraça!!

Pois bem... depois de horas de desespero, já que a maioria estava morta, ficaram os vivos a dividir quem conheciam.

O resto... Bom, o resto é melhor nem contar.
Digamos cá entre nós que Euristides Clumsy ficou enterrado com direito uma campa com o nome de um tio de sua esposa, muito conhecido por adorar vestir-se de bailarina, fazendo pliés com um nó ao pescoço e sentando-se alternadamente num cone que todos julgavam ser uma espécie de Brise contínuo...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Carmen Miranda de trazer por casa

A fruta não se deve querer demasiado viçosa, ainda a deixar amargo de boca e, provavelmente, bichada.
Também não se deve querer a caír de podre, já não traz prazer nem doçura e estar bichada é também aqui uma grande probabilidade.
Deve desejar-se a fruta madura, no ponto, pronta a ser saboreada em bom tempo, com calma, com casca ou descascada. Logo pela manhã, de sobremesa ou mesmo antes da refeição.
Mas achar boa fruta nos dias de hoje...

sábado, 25 de setembro de 2010

Euristides Clumsy (actualizado)

- Mas afinal onde está o morto, pelo amor de Deus??!!
- Mas qual deles?!
- O morto! O morto oficial! O que seguia para o cemitério!
- Hummm... eventualmente é onde todos vão parar...
- Estou a perder as estribeiras! Refiro-me ao morto, o que já o estava efectivamente, o que ia no carro funerário!
- Aaaaahhh! Perdão! Mas então, é só...



Ok. Vamos lá voltar atrás.
Porque raio há tanta dificuldade em encontrar um morto que segue, supostamente, num carro funerário?!
A razão é muito simples, dentro da confusão própria desta história.
Comecemos por conhecer Euristides Clumsy.

Euristides Clumsy era um tipo desastrado. Tinha herdado este nome porque sua mãe, Maria Clumsy, casara em Las Vegas, não no seu estado mais elucidado, e quis assim o destino que as núpcias fossem frutíferas, em conjunto com seu recente marido, Edward Clumsy, como convinha, e daí nascesse esta desafortunada criatura.

Mesmo à nascença não esteve na sua maior graça ao aparecer ao mundo, pois ao cortarem-lhe o cordão umbilical, resolveu dar um delicado mexer de mãos, não fossem duvidar que estava vivo.
Deixou de ser um movimento gracioso no mesmo momento que viu arrancada a cabeça de seu dedo, pela tesoura.
Não bastasse a má sorte do adeus à cabeça do dedo, sua mãe, não tanto por emoção mas por susto, terror ou desgosto, desmaiou ali mesmo ao primeiro vislumbre do que seria denominado por coelho esfolado pela enfermeira de serviço.
Assim se deu por iniciada a saga desastrosa que seria a sua vida e, naturalmente, a sua morte.


Podia descrever uma série de peripécias dignas de apontamento minucioso, no entanto, privarei os leitores de soltar excessivas lágrimas, sejam de riso ou de pena, escolhendo apenas alguns detalhes escabrosos da existência de Clumsy.

A sua infância poderá dizer-se que até foi sorridente, não tanto para ele mas para os que o rodeavam, tendo ele sofrido de todo o tipo de gozações e de acontecimentos que as provocavam.
Passou pela acne exarcebada, pela mudança de voz esganiçada, pelo aparecimento tardio dos primeiros pêlos no buço, que se assemelhava a uma plantação levada a cabo por alguém demasiado embriagado para o efeito...
Recebeu beijinhos da sua mãe até à entrada na faculdade, acompanhados de um queque de noz e um leitinho com chocolate. E quando digo entrada, era mesmo entrada. O portão de todas as escolas por onde passou.
Não que Clumsy não gostasse do queque e do leite... só não lhe agradava particularmente partilhar o momento com todos os que o rodeavam! E eram sempre muitos nestas alturas.
Passou pelos vexames mais cretinos e previsíveis: levar papel higiénico agarrado às solas, pelos corredores da escola, ter o nariz pouco limpo ou o fecho das calças aberto, enquanto apresentava trabalhos, chegar à escola primária com as calças molhadas da chuva permitindo à turma toda saber que usava collants debaixo das calças, após insistência da professora para que secasse as calças no aquecedor da sala... Ou quando teve que descalçar os sapatos molhados e mostrou as peúgas que tão desprezadas eram pela sua mãe, de tão rotas que estavam. "Foram prenda da minha avó", reclamava ele... Na verdade a avó não lhe ligava pevides, mas eram as únicas que tinha conseguido sem raquetes de ténis e escondia-as da mãe sempre que podia.
A única coisa sensata, aliás, que essa avó lhe tinha feito, percebia-o agora, tinha sido avisa-lo que usasse sempre meias e cuecas decentes e mantivesse as unhas cortadas, que nunca se sabia quando não íamos parar ao hospital mostrar as pobrezas...
Essa avó não tinha tido problemas com isso... quando morreu no hospital, tinha sido levada directa do banho... roupa não foi problema.

Mas conforme passavam os anos, mais patética se revelava a sua existência enaltecida por grandiosos acontecimentos. E quando digo grandiosos, não me refiro a acontecimentos notáveis, dignos de uma enciclopédia, de um livro de história, de um livro qualquer...

Euristides Clumsy nem no amor teve sorte. Teve por uns tempos, namorando com a dona do seu coração... mas o seu pedido de casamento frente a toda a família, incluindo a irmã gémea da sua amada, teve graves consequências. Sem falar na ofensa que foi para toda a família que, apesar de tudo, julgava suspeitar já de algo assim desde há muito pelas insinuações constantes da dita gémea.
Pois fora acontecer que esse pedido de casamento foi feito à gémea errada e pensando ele que pedia a mão a uma rapariga doce e honrada, meiga e dedicada, tal como ele apreciava, teve o infortúnio de tomar por sua noiva a gémea em tudo oposta.
Clumsy inicialmente não percebeu o desprezo da família, nem o desmaio da outra gémea que acabou por a levar à morte de desgosto amoroso.
Clumsy não percebeu muita coisa, até começar, já depois de casado, a ouvir falar em tendências sado-maso, preferências por máscaras de latex, afogamentos, estrangulamentos, chicotes e palavras-passe. Na verdade muito daquele vocabulário estava, para ele, descontextualizado, pois para haver afogamentos era preciso estar na praia, no rio, na piscina, para haver máscaras era preciso ser carnaval e palavra-passe era coisa para computador...
Clumsy não percebeu, até ao dia. E noite. E tarde.
Se a primeira gémea era uma doce flor perfumada que murchou na falta do seu sol, esta era uma planta carnívora (se de facto comessem pessoas) com uma vítima perfeita.
Clumsy mirrou e em nada melhorou no seu estatuto de desastrado.


... (continua)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ondulando e Rabeando

... e aí ia ela, rabeando,
ondulando orgulhosamente o seu corpo bem definido.
Todos os que passavam ficavam a olhar,
tal era a convicção da sua boa forma.
E ela rabeava,
exibia as ondulações do seu corpo
como se fosse a única, adoravel,
perfeita, minhoca que ali passeava naquela couve.

Chazadas e Xaxadas


Minha flor de aniz, meu xuxu amado, meu rico petiz de açúcar besuntado!
Chá a mais dá nisto... Mas este recomendo! Comprado no Ikea.
:P

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Em boca fechada não entra mosca nem sai disparate!


Para além de não ter a boca na testa com ela, (tinha-a deixado em situações deveras embaraçosas antes) tinha deixado a outra boca em casa.
Deixou-a fechada numa caixa, com algodão, enfiada num saquinho de chita e com fecho, não fosse o Diabo tecê-las.
Colou os sobrolhos numa posição algo estranha, mas nada denunciadora, não fosse o Diabo tecê-las.
Quanto às pestanas, eram poucas, mas resolveu corta-las rentes, para que qualquer pestanejar suspeito ficasse de fora, não fosse o Diabo tecê-las.
No nariz espetou uma mola, bem apertada, porque qualquer cheiro delicioso ou nauseabundo podia provocar um trejeito manhoso, suspeito e...não fosse o Diabo tecê-las!
Achou que seria melhor também atar os braços com uma corda, de lado, para que as mãos não tocassem sequer entre si. Podiam calhar gestos estranhos, uma espécie de sinais secretos e não fosse o Diabo tecê-las!!
Era um pouco coxa, mas até esse coxear podia dar ares de rabear, de balouçar a coxa, por isso atou a perna coxa e foi ao pé coxinho, mas sempre receando que o balouçar da saia fosse pouco respeitoso, quase convite, quase exibindo sua coxidão e inchaço. E não queria nada disso! Não, não, não fosse o Diabo tecê-las, pois!

Mas tal silêncio e quietude era cá um mistério...

-Devo preocupar-me com a tua presença?
- Mnhmmmnhhmmmmm...

Foi a correr a casa, ao pé coxinho, abriu a caixa, abriu o fecho da bolsa de chita, arredou o algodão, colocou a boca no sítio e ainda engasgada com restos de algodão, perguntou ao telefone (sem escutas, esperava):

- Que posso eu dizer?!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sonhos repetidos tendem a revelar... insanidades!

Hoje sonhei que tinha apanhado um avião para... lá!
Lá onde a espera leva ao desespero enquanto se troca o passo e o abraço por dá cá esta palha e mais uma beijoca, espera lá quantos já somos.
Coisa dificil para alguém com medo de voar mais alto que as pernas (onde é que eu já ouvi isto) e sem dinheiro para o rebuçado da semana ou mandar tocar o pífaro ao passaroco do vizinho que é o maior artista da rua.
Depois achei melhor aterrar e fui a correr para onde repicam e me repenicam os sinos a horas impróprias e onde o pão com chouriço sabe pela alma e me deixa "asiática".
Onde ler as linhas de um livro com olhos baços tem mais graça enquanto se pergunta se mais alguém está a ler em hora de contar ovelhas a saltar nuvens de marshmallows, já que não lhe ouve o livro tombar e caír no dedo do pé do anão imaginário.
Também na outra noite para lá viajei, mas só levava leggins e túnicas e era época de salamaleque, não ficava bem.
Bem tentei que alguém se escapasse comigo, mas os acepipes chamavam e não engordavam, que isto é Verão e carne é crime e o mel é proíbido.
Resolvi acordar e fazer uma lista das malas e das máscaras e umas receitas anti-não como isso!
Enfiei a custo uma pitada de decência que a coisa tende a descambar e enchi-me de capuccinos vários que não posso deixar caír o livro, que em baixo dorme gente.

Ic! Solucei e preciso respirar! Até amanhã!

terça-feira, 30 de março de 2010

Cyndi Lauper - Girls Just Wanna Have Fun




:D

Eh eh...

Para mais taaardeee recordaaaaar! ;P

Às vezes passeavam-se assim, para lado nenhum, a pensar no próximo petisco, a mexer em traquitana sem jeito, a comprar a inutilidade para rir amanhã ou no Verão quando ninguém (ou elas) quer saber.
Compravam vernizes que sobravam nas prateleiras porque a luz da loja era fluorescente e enganava na cor, porque parecia giro para a unha do pé, até que o pé lhes revela que são daltónicas ou porque aqui ninguém vai ligar, mas na cidade-ovo até vão. Deus me livre se saía com isto à rua!
Salpicava canela porque ela dizia que era bom, panava ela o frango com sementes porque a outra ao dizer que tinha comido lambia o beiço três vezes.
Falavam por palavras e expressões que aos outros soavam estranho ou caricato.
"Roubavam" expressões uma à outra porque aquilo soava o máximo, fica na tola e agora não sai e, raios, tem mesmo graça, o disparate!
Ela era assim, cabelo ora preto, ora vermelho, ora ruivo, ora cor-de-rato.
Cabelo cor-de-rato era aliás coisa que só da boca dela podia saír... E a si sempre soltara gargalhadas, interiores, exteriores, de boca aberta ou de esgar.
Que isto às vezes tem que se disfarçar!

Um olhar de soslaio de uma fazia a mão da outra rolar até à boca para segredos de olho espichado pelo canto.
Para os de fora, um a coisa feia, de gente má. Para elas, um entretém nem sempre maldoso, de quem absorve tiques e hábitos alheios, de gente que observam há anos a fio e outros que chegam e ficam iguais e se movimentam no mesmo ritmo ou falta dele...
Mudou tão pouco não foi?
(Coisas de cidade-ovo, de amigos, conhecidos, conhecidos de já te botei olho não sei onde, de nunca te vi mais careca, mas mais magro sim...)

Que isto do ritmo é coisa que se lhes cai como mossa no corpo. Não o ritmo, a falta dele.
Batem palmas e soltam Oooooohhh's quando algo lhes lembra que a coxa ainda mexe e está para durar, quando sabem que a palma e o Oooohh vai ser recebido do outro lado com uma favola ao léu e um pulinho idiota no início da dança tolinha de pé e braço e cabeça.
É assim que se distinguem; pela tolice descarada de quem está para as curvas até o dedão do pé mostrar quem manda.

Por vezes também lhe dá ganas de a estrangular.
Engane-se quem pense que era por ódio, inveja ou coisa semelhante.
Era a raiva contida de uma dor sentida da dor de outrem. Do levas uma chapada a ver se aprendes, do já chega que a mim também atinge.
Era assim que sabia que ela ali estava. Ela para ela e ela para ela. Por mais repetido que soe.
Contado assim até parece uma história de amor. Ao que as duas dizem: Chica pardaloca, Apre, Cataninho, Arre-Diabo! E outras coisas que tal.
Nada de amor, Deus as livre! Que sabem bem do que gostam e os pormenores que contam bem o comprovam!
(E há agora quem se benza e pense meia dúzia de vezes o que se comentará entre um capuccino e um biscoito, uma torrada com mel e um chazinho de tiramisú.)
Mas é uma relação de anos que há-de durar até que as chávenas de capuccino estejam gastas, o frango já custe a mastigar e as unhas dos pés já encarquilhem demais para o verniz disfarçar...

segunda-feira, 29 de março de 2010

La Vie en Rose - Edith Piaf



Pausa ali ao lado, que esta vale a pena ouvir... :)


Pega
Deslarga

Pega
Deslarga


Ela sabia que a palavra deslarga estava incorrecta, mas importava?
Ele ria sempre com a dita baboseira e imitava-a com aquela vozinha estridente de boneco de borracha: "Deeeeslaaargaaa-meeee"!
Por isso valia a pena manter o disparate.


E dizia para os seus botões:

Pega
Deslarga...

Pega e emprega e é a desgraça
Deslarga e começa a ganhar outra graça.

Pega, peca, esfrega cheia de graça... vem a desgraça!
Deslarga, alguém pega...
Ai que graça!

Oh desgraça...


Se fugir o bicho pega
Se ficar o bicho come

Agora apeteceu-me escrever isto. Pronto!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Hoje não!

Hoje não há musicol para ninguém!
Ouçam ali do lado, no "mini-coiso".
:D

Estás nervosa? Come umas raivas!


Nhamiiii!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Gozem, vá...mas era a música do Tortulhinho da mamãe quando veio cá para casa...


Pit Bola partiu para o Paraíso dos presuntos e coxas de frango, ou é nisto que Golondrina quer acreditar.
Não terá outra parceira como esta e ainda lhe dá a boa noite quando chega, por engano.
Partiu num dia de chuva e Golondrina lamentou... Pit Bola odiava molhar as patas e nem teve tempo para se despedir.
Num dia estava, noutro dia era memória fresca apenas...
Pit Bola aparece-lhe todos os dias, com ar de quem foi apenas de férias, no monitor. É pior, dizem-lhe, é melhor, diz Golondrina. Fica-se-me aqui, junto ao olho e ao coração.


Não estava lá para ela e lamenta-o todos os dias.
Diz Boa noite todas as noites, mas não tem como a aconchegar nem se aconchegar...